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terça-feira, 7 de abril de 2015

Resenha- A Hora da Estrela



Título: A hora da estrela

Autora: Clarice Lispector

Editora: Rocco

Sinopse: "Em seu último romance, Clarice Lispector criou um narrador fictício, Rodrigo S.M, que relata a vida da jovem nordestina Macabéa, ao mesmo tempo em que reflete sobre os sonhos, as manias e os conflitos internos da garota."


Avaliação:
 





Oi gente tudo bem? Hoje venho falar sobre uma obra clássica da Literatura brasileira modernista, um livro que chega a ser obrigatório no ensino médio e nos diversos vestibulares, por isso, vários sites desenvolvem uma resenha analítica do ponto de vista para o vestibulando, o que muitas vezes complica as coisas e tira o interesse no enredo, resumindo-o ao aspecto do Enem, por exemplo.
Minha proposta é diferente: Quero falar sobre como Macabéa me emocionou, como o escritor Rodrigo S. M. me entregou a vida dessa pobre alagoana em minhas mãos para que eu pudesse rir, chorar e me revoltar com a vida pacata que a moça levou.
O personagem Rodrigo S. M. é um escritor, introduzido na história como narrador da trama por Clarice Lispector, diferente dos outros títulos da autora, A hora da estrela me surpreendeu por ser um livro menos epifânico e não ser introspectivo, mas sim, um livro de um narrador onisciente.
Vamos aos fatos: O livro começa com o diálogo direto do escritor Rodrigo com o leitor, sem perceber entramos na história de Macabéa. Não é uma história de finais felizes, nem de contos de fada, a personagem principal é feia, desengonçada, e que mal lembra dos pais, que morreram quando ela ainda era criança.

"Quanto à moça, ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando... O seu viver é ralo"

Macabéa logo de inicio é demitida de seu emprego e humilhada pelo chefe, ao falar qualquer coisa em sua defesa, como qualquer pessoa faria, a mesma pede desculpas pelo aborrecimento, quase que como se desculpasse por existir. Por falar em existir, sua presença é quase imperceptível pra desconhecidos.
Depois que conhecemos o infeliz jeito de ser da moça, a encontramos em um botequim, ela encontra um nordestino e se apaixona por ele. Finalmente Macabéa poderia encontrar a felicidade? Errado, o homem destrata a pobre diversas vezes, incontáveis vezes, de modo que dá vontade de entrar no livro e surrar o sujeito.
"- E se me permite, qual é mesmo sua graça?
- Macabéa.
-Maca, o quê?
-Béa, foi ela obrigada a completar.
-Me desculpe mas até parece doença, doença de pele."

O único momento "romântico" do casal é quando Olímpico (o namorado de Macabéa) tenta levantá-la nos braços (faz isso mais para dizer que é forte, do que para agradá-la) e então não aguenta com o peso da pobre e a derruba no chão.
Para completar os infortúnios da moça, seu namorado a troca por sua colega de trabalho, Glória, com pena, a mesma lhe oferece uma cartomante para ler seu futuro. Macabéa em êxtase segue os conselhos de sua "amiga" e vai até a cartomante. A maldita enche a personagem de esperança (e de quebra o leitor também) diz que a alagoana vai encontrar um gringo loiro dos olhos azuis, um príncipe encantado que vai tirar a pobre da miséria. Macabéa sai do estabelecimento cheia de expectativas e ao atravessar a rua é atropelada, num momento de devaneio ela pensa que o moço que a atropelou é seu príncipe encantado, estava enganada, pobre de alma, pobre de bens materiais, perde a única coisa que tinha de valor: Sua vida.

E é assim mesmo que o personagem Rodrigo dá a notícia - Macabéa morreu senhoras e senhores, obrigado por derramar suas lágrimas - O livro pra mim foi muito emocionante, me envolvi de corpo e alma com a situação de Macabéa, me compadeci, torci pra que ela desse a volta por cima, torci pelo clichê do "mundo que dá voltas" mas isso não aconteceu, e por isso derramei litros de lágrimas na sua morte e na ausência de seu velório que o autor ser recusa a compartilhar. É por tudo isso que a minha avaliação para esse livro é nota máxima, e não poderia ser outra.

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