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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Resenha: O Silmarillion (J.R.R. Tolkien)

Oi gente, tudo bem com vocês? Hoje vou fazer uma resenha de um livro muito especial pra mim, porém, tardei a fazê-la por ser um livro muito complexo. A nível de comparação com As Crônicas de Nárnia, sabe aquele capítulo em que Aslam cria Nárnia? Então O Silmarillion é quase isso, é como um Gêneses, a bíblia da Terra Média. Sua complexidade exige no verso do livro: 
Um Glossário;
Uma árvore genealógica;
Um mapa de toda Arda (Terra), nos tempos antigos;
Notas sobre as pronúncias de diversas linguagens existentes no livro (de criação do próprio autor).

Graças à complexidade já falada acima, em minha opinião, deve ser o último livro do Tolkien que você deve ler, assim você já terá se apaixonado (ou não) pela bravura de Elfos, Anões, Homens, Magos. Assim, você terá a curiosidade de saber de onde surgiu cada coisa, lendo até o final, caso contrário, é provável que ache a leitura cansativa e a abandone.

Vamos finalmente à história: Havia no princípio, apenas uma entidade, um ser supremo chamado Eru, o único, e de Ilúvatar em Arda. Com seu pensamento ele criou os Ainur, os Sagrados, esses seres, junto com Ilúvatar criavam uma Música Magnífica (essa música tem o poder de criar coisas) que a princípio deveria estar em harmonia, cada Ainur tinha sua função.
Então um dos Ainur: Melkor, um tanto revoltoso a respeito de Eru, começou no meio da harmonia, sua própria música, cheia de poder e rebeldia (sim, lembramos totalmente de Lúcifer nessa parte), alguns dos Ainur se juntam a Melkor e começa um tipo de "guerra" de músicas diferentes. Então Eru magoado mostra a eles o que fizeram: Arda, a Terra, porém, inacabada.
Alguns preferem continuar com Eru, porém, outros se apaixonaram pelos seres que viriam depois e decidiram cuidar e preparar o lugar para a chegada dos mesmos.
Cada Ainur (que serão chamados de Valar posteriormente) então, ficou responsável por alguma coisa (seja as águas, o ar, as florestas, etc.)
Melkor, já corrompido, vê Arda e não sente amor, mas ciúme, sentimento de posse e inveja de seus companheiros, ele vira algo tão sombrio que não é mais chamado de Melkor de uma parte até o final do livro e sim Morgoth (Ele será o senhor de Sauro, ou seja se você já acha Sauron tenebroso - na história ele era um Maia que veio para ajudar a terminar de construir a Terra mas foi corrompido- então imagina a perversidade do senhor dele).



 O livro em si tem várias histórias e na verdade o filho de J. R.R. Tolkien: Christopher Tolkien, tentou organizar, através das anotações do pai, as histórias em ordem cronológica, mas se eu for me aprofundar em todos os assuntos... 

Durante todo o livro, Morgoth se fingi de bonzinho algumas vezes, porém, seu intuito é só corromper as pessoas. Por exemplos. havia um Elfo chamado Fëanor, ele criou jóias magníficas (as Silmarils) que foram roubadas por Morgoth (que inclusive matou o pai de Fëanor) porém, fica claro na história que isso só acontece por conta da arrogância do mesmo, as lições já começam ai, pois bem, após o furto, Fëanor se revolta com o "silêncio" cauteloso dos Valar e faz um juramento que nenhum de seus filhos irá descansar enquanto não tiverem a posse das Silmarils e se vingarem de Morgoth.

Esse Juramento é ao mesmo tempo uma maldição que irá perseguir os Elfos durante todo o livro, gente da própria família se matando e destruindo uns aos outros.

Ao lado está uma das minhas citações favoritas de Silmarillion, há muita beleza descrita e muita destruição.
Para os românticos há um caso de amor entre Beren e Lúthien (o qual vou relatar devido sua beleza) e a tragédia dos filhos de Hurín que se separam ainda pequenos e depois de muitos desencontros não se recordam um do outro e acabam se casando, só depois de muita desgraça, os dois tem conhecimento de que são irmãos.



Voltando a história de Beren e Lúthien, é algo tão magnífico e cheio de dificuldades, desencontros, sofrimento mas sobretudo de AMOR, que o próprio Tolkien pediu que escrevessem em sua lápide- Beren -  e no de sua esposa- Lúthien- Um amor que superou a própria morte, segue abaixo o trecho em que eles se conhecem:








 
 


"...Beren chegou trôpego a Doriath, grisalho e encurvado, com muitos anos de sofrimento, tal havia sido seu tormento na viagem. Entretanto... ele se deparou com Lúthien, a certa hora da noite antes do nascer da lua, quando ela dançava na relva perene nas clareiras. Nesse instante, toda lembrança de DOR abandonou Beren, e ele foi dominado pelo encantamento, pois Lúthien era a mais bela de todos os filhos de Iluvatar...
...No entanto, ela desapareceu de sua vista. E chegou uma época, perto do amanhecer, em que Lúthien estava dançando numa colina verde...De repente ela começou a cantar. E a canção de Lúthien soltou as algemas do inverno; e as águas congeladas falaram; e a flores brotavam da terra fria em que seus pés haviam passado.
Então o encantamento do silêncio foi desfeito e Beren a chamou, e os bosques repetiram seu nome. Ela então parou, admirada, e não mais fugiu. E Beren veio até onde ela estava. Contudo, no instante em que o contemplou, o destino a dominou e ela o amou." - O Silmarillion




Enfim gente, tem muito mais coisas sobre o livro que não vão caber em só um post, inclusive no final ele resume toda a terceira Era, a chegada os Magos, a mudança do mundo, foi o livro que eu mais demorei pra acabar, não por ser chato ou longo, mas por ser pesado, ter muitas informações, guerras, acontecimentos em geral que se ler de uma vez só, esquece mais rapidamente. O que eu tirei de proveitoso do livro foi que não importa o que se passa com você ou com os que lhe cercam, cuidado com o que você sente em relação a qualquer coisa, pois um amor não correspondido pode virar obsessão, cuidado com o que deseja pois quando não se alcança o almejável você pode se tornar alguém frio, amargo, mas principalmente, cuidado com cada palavra pronunciada pois ela pode acarretar consequências não só pra você, mas para todos as sua volta também.




É isso gente, espero que tenham gostado, é um livro que eu realmente amo e indico, não deixem de ler pois há varias histórias, desde criação, destruição, romance, tragédia, etc.

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